quinta-feira, 18 de maio de 2017

Não espere resultados extraordinários fazendo o básico



Hoje o post é sobre DIFERENCIAÇÃO


Segundo o dicionário diferenciação significa: 

Ação ou efeito de diferenciar; diferença.

Desde que escolhi o Secretariado como profissão me dediquei a ser diferente, uma profissional fora da curva. Sem qualquer soberba eu percebi um incrível oceano azul na minha profissão, mas que exigia mais do que os outros faziam. Diferenciação é isso, é você se distinguir dos outros, ir além. 

Devo admitir que tive e tenho muita sorte de estar no lugar certo e na hora certa, mas o fato de buscar a excelência me trouxe muita vantagem competitiva. Mas nem tudo são flores, é claro. Tive que “ralar” muito. Porque no dia a dia não basta de dizer que você é....você tem que ser. 

Uns dos episódios que mais marcaram essa mudança de postura aconteceu em outubro de 2016, quando havia sido recém contratada para trabalhar numa gigante das telecomunicações. Tudo estava maravilhosamente bem, finalmente tinha conseguido minha independência financeira e havia possibilidade de prospecção. Foi então que passei pela 1ª de muitas das reestruturações. Em Brasília eramos duas secretárias que assessoravam três Diretores – nível de Vice-Presidência. Sete meses após a minha contratação minha colega, a qual estava amando trabalhar em parceria, retorna da mesa do Diretor e diz: “Rodrigues, fui demitida”. Como era seu hábito ser muito bem-humorada, imediatamente disse: “ah, para de brincadeira”. E ela concluiu. É sério, fui demitida, fico até novembro. 

Ali percebi, pela primeira vez, que o mundo corporativo não é um conto de fadas, onde todos trabalham com os mesmos propósitos. É a lei da sobrevivência. 

Não havia motivo algum que desabonasse seu trabalho. Pelo contrário, ela era uma ótima secretária, com vasta experiência e estava na empesa há aproximadamente 05 anos. Mas a empresa passava por mudanças e fazia parte do planejamento estratégico uma redução, a primeira de muitas que eu vivenciei e naquele momento ela foi a escolhida. 

Foi a primeira vez que tive medo do desemprego. E fosse eu? Aliás, era para ter sido eu. Algum tempo depois, um Diretor confidencializou a mim: Era você quem iria ser demitida. Como estava a menos tempo na empresa seria mais sensato – isso porque incluía custos e tributos que sendo eu a escolhida seriam menores. E esse mesmo gestor concluiu: Contamos com você e espero que você responda às nossas expectativas. 

Daquele dia em diante eu virei um trato e nos três anos seguintes eu respirei para aquela empresa. Cheguei a pesar 59 kg. Entrava 08:00 da manhã e saia às 21:00. Meu banco de horas me permitiria ficar meses fora. Minha casa era apenas um ponto de apoio para tomar banho e dormir. Perdi as contas de quantas vezes fiz um lanche rápido num canto da copa, em pé. 

2009 nova fusão. Dessa vez as duas maiores empresas de telecomunicações do País anunciavam fusão. Mas agora eu estava mais preparada e confiantes. Já conseguia “ler” as estratégias. Como num jogo de xadrez, já sabia quem cairia e quem subiria. Durante esse período fiz um bom trabalho, a essa altura já conhecia os principais nomes da empresa em Brasília e de outros estados e já era lembrada por muitos. Numa empresa com milhares de colaboradores você ser lembrada e citada por vice-presidente é um grande diferencial. Quando a fusão aconteceu havia mais Secretárias em Brasília do que na empresa toda. 

Foi uma experiência incrível, apesar de todos os temores e frustações. Mais uma vez, excelentes profissionais seriam desligados por uma questão de reestruturação e reengenharia. Seja como for, permaneci no quadro e dessa vez com uma missão: compartilhar e multiplicar os conhecimentos e cultura da empresa para as demais Secretárias que permaneceram e lógico, me adaptar aos novos Diretores que assessoria. Das 45 secretárias em Brasília restaram 2 e eu. 

Fizemos uma ótima parceria nos anos seguintes. Nos completávamos. Ainda hoje sinto saudades delas. Erámos completamente diferentes, talvez por isso desse certo. 

Eu acredito que todas as oportunidades que surgiram ao longo dos anos que permaneci na empresa, foram fruto de uma decisão que começou em 2006 – Ser a melhor e fazer a diferença. E quando tomei essa decisão não foi com o intuito de competir com ninguém, mas superar os meus próprios limites. Nunca precisei puxar o tapete de ninguém e nunca vi o outro como um rival, pelo contrário, eu vi muitas oportunidades. A empresa era grande, havia oportunidade para todos. Bastava ser bom, ou melhor, bastava ser muito bom. 

É claro que não há uma receita de bolo, mas posso garantir que motivação, senso de urgência, construção de relacionamentos, entusiasmo, flexibilidade e determinação foram diferenciais. 

Se você espera ter sucesso fazendo o que todo mundo faz, sinto informar, mas esse caminho não gera resultados extraordinários. Se quiser se destacar você vai precisar entregar mais do que os outros estão costumados a receber. Isso é o que nos diferencia dos demais. 


Um abraço,

Simara Rodrigues 

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