quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pare de achar que você não é pago para isso




Em um dos meus primeiros estágios na área de Secretariado Executivo - deixo aqui bem claro essa afirmação para que entendam os motivos - fui contratada para trabalhar em uma Gerência Geral, dando suporte às Secretárias da área.

Imaginei, como todo estagiário de Secretariado, que minhas atribuições estariam relacionadas às técnicas secretariais. Acontece que minhas atribuições se limitavam a realizar a triagem dos documentos que chegavam na Superintendência - nome "bonito" que meu gestor dava às minhas atividades - mas que na verdade se tratava de receber os envelopes, abri-los, grampeá-lo á correspondência e entregar nas respectivas áreas da Superintendência. Resumo da ópera: Eu exercia, na prática, as atribuições da mensageira - que fique claro não é nenhum demérito. No começo achei a atividade muito simples para uma estudante de Secretariado Executivo que está se preparando para assessorar grandes Executivos do mundo corporativo - perceba nessa fala certo tom de ironia.  

Bom, seja como for, foi o que fiz por alguns meses. Chegava na empresa e já havia centenas de envelopes para eu abrir, grampear e entregar nas áreas. Foi então que procurei fazer um limão daquela limonada - Graças a Deus sempre fez parte do meu perfil ser otimista e enxergar além -  Foi então que comecei a entender algumas particulares do negócio. A partir das cartas que chegavam, comecei a conversar com as pessoas e demonstrar interesse sobre o assunto. E  o que a princípio parecia grego para mim, foi fazendo sentido.


Conceitos como PGO - Plano Geral de Outorgas, PGMU - Plano Geral de Metas para a Universalização SFTC - Serviço Telefônico Fixo Comutado - Que foram um grande diferencial na minha carreira muitos anos depois - começaram a fazer sentido na minha rotina e desempenhar aquela função passou a ser algo interessante. 


A partir dessa atividade eu conheci todos os colaboradores da empresa, fiz amizades, ampliei minha rede de contatos e ganhei visibilidade. Ao contrário das minhas colegas que diziam que não aceitaram o estágio porque não eram pagas para fazer aquilo, eu aceitei. A propósito, essa prática foi recorrente em minhas experiências profissionais e colhi muitos frutos por isso. 

Concluído o tempo de estágio, que na época era de 01 ano, fui contratada para trabalhar na Gerência, dessa vez para Secretariar o Gerente, já que a Secretária havia sido promovida para outra área. Permaneci nesta empresa por aproximadamente 06 anos e tive muiiiiiiiiiiiiiiitas experiências interessantes e que me levaram a trabalhar no lugar dos meus melhores sonhos. 

Eu acredito que se tivesse virado as costas para esta oportunidade minha história teria sido diferença, ou não. Quem vai saber? 


Moral da história (e aqui copio uma reflexão do Renato Grinberg em seu livro Estratégia do olho de tigre)

“Quando você abonda a vaidade e pratica a humildade, aceitando situações como fases de um processo, você se torna interessante para a empresa. Sim, pois a empresa terá alguém com garra, determinação e ávido para crescer. Toda empresa quer um profissional assim”. 




Um comentário:

  1. Olá, Simara!

    Muito legal a oportunidade que você viu num trabalho simples. Realmente, muitos ficariam super chateados por estar fazendo trabalho bobo ou algo do tipo, mas a maneira que você usou essa oportunidade para fazer network foi inspirador. <3 Parabéns!

    Já anotei aqui o título desse livro para procurar depois. :)

    Um abraço,

    Samantha

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