quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Empreste seu lencinho a um assistente executivo com normose.

É simplesmente maravilhoso encontrar e conhecer pessoas que se inquietam com o status quo. Já imaginou que tédio seria a vida se todos fossem conformados, felizes e acomodados? Certamente ainda viveríamos na idade da pedra. 

Por mais texto como este. 

Cora, obrigada por nos presentear com esta reflexão!


Empreste seu lencinho a um assistente executivo com normose.

Por Cora Fernanda

Preste atenção neste artigo e faça uma análise sobre seu comportamento.

Isto não é misticismo, isto é verdade..... Nelson Rodrigues, a vida como ela é!

Estamos aqui para falar, de certa forma sobre zona de conforto. Aprendi este termo, normose, em uma das minhas leituras e fui buscar entendimento do que se refere. Me parece bem peculiar.

Normose significa patologia da normalidade. É a grande praga de nosso tempo porque se revela como hábito nocivo e acaba se tornando a norma do consenso, fazendo com que o indivíduo viva inerte, indiferente, conformado com todos os problemas como se fossem normais.

“É assim mesmo”, “todo mundo faz assim, “Aqui sempre foi deste jeito”, e para mim o mais subversivo de todos: “A vida é assim mesmo!”. Te asseguro: A vida não é assim mesmo, ela é bem assada... (Fica aqui o trocadilho do tempo da Vó Tereza. Quem tem uma Vó Tereza, entenderá).

Quando ficamos insensíveis e incapazes de questionar, nos tornamos aqueles ratos, daquele livro, daquela época, com aqueles queijos.... Nos tornamos reféns de uma nomenclatura muito conhecida como zona de conforto ou para outros, simplesmente, “já sei tudo”.

Os assistentes executivos não se enquadram?

Você não conhece uma secretária assim? Um secretário apaixonado pela profissão, mas, está ali na inércia, já faz um tempo. Aqui não falo de tempo de empresa, pois alguns, com pouco tempo de casa, estão ali estacionados. Não ajudam, não falam, não trocam conhecimento, não questionam seus executivos, não querem saber se o financeiro tem processo, se o jurídico tem protocolo, porque tem protocolo. Porque tem protocolo? Porque tem! Nada estranho.

Vejo que certa parte de nossa “faminha” de “só atender o telefone”, nos foi condecorada por este perfil. Um perfil que está satisfeito, quente e de barriga cheia, logo, dormindo. (Sim, temos uma tendência ao sono se estamos de pancinha cheia e acomodados.). E isto se vê em todas outras profissões: Gerentes, diretores, portadores, recepcionistas, contadores e os maravilhosos, auditores. Me lembro que conheci um diretor financeiro que não saía de sua sala, inclusive, almoçava dentro dela. Mal falava. Mal olhava. Mal sorria. Viver sem sorrir, ou sorrir sem movimentar os 73 músculos da face, é solidão. Não quero e não desejo. Mas, continuando, ele, quando exposto a um problema, não resolvia. Ele falava baixo, sussurrando: “Deixe assim”, “Depois assino”, “Depois despachamos”, “Depois me manda”, “Depois eu faço”.... Nada de metas, nada de objetivos, nada de nada!!! Sempre com este DEPOIS, na ponta da língua. Só para melhorar, pense nesta forma sinônima da palavra depois: Mais abaixo; em lugar secundário ou inferior. Preciso falar algo mais sobre o que acho de quem fala depois?

Isso é um ponto de nossa carreira? Sim ou não?

Votos abertos. Porém, eu ainda tenho uma visão sobre isto: Escutei certa vez que temos que ser insatisfeitos, e sempre em busca de alguma coisa. Não interessa o que, não necessariamente de sua área profissional, mas aprender é algo que nos mantém alertas e com o cérebro a mil. Sem engessá-lo ou deixá-lo atrofiar. Ele é poderoso e deve ser usado, seja em desafios ou para aprimorar o que precisa. Utiliza-lo de forma efetiva e sem pré conceitos com o aprendizado sendo aplicado e multiplicado, compartilhado. Abrir a mind é o melhor conector que você pode ter com o todo e o mundo.

Se inverso disto, você se enquadra no estereótipo, já sei tudo.

Mas se minha empresa não cresce ou não empreende o que eu tenho a ver com isso?
to falando de você tá?!

Empreender significa levantar ou dar inicio. Consta este ícone na sua lista de “quero ser”? Espero que exista e que você não se enquadre no normótico, satisfeito e com sono. Quero que você queira dar inicio a aula de ballet, de gastronomia, enologia. Quero que você queira mudar de bairro, de casa, de cabelo. Que você queira o casamento, o namoro ou o divórcio. Mas que sempre você queira.

Melhor assistente do mundo: Está aí, bem dentro do seu coração, com paixão e amor, que só os assistentes tem, porque fazem o que gosta. Quem não gosta, não aceita nem ser chamada de secretária ou secretário. Isto é quase um afronta a um ser humano, que não sabe servir. O cantor de churrascaria nunca te contará esta história: “Ah, eu estava lá cantando, porque na verdade sempre quis ser engenheiro. Então, comecei a cantar na churrascaria porque tinha dom de voz e violão”. Não, este cara não existe. O cantor de churrascaria se dedica demais, trabalhando como autônomo, e por vezes exausto de ficar noites sem dormir. Sabe por quê? Porque ele quer ser reconhecido e ter sucesso fazendo aquilo que ama.

Chegamos aqui ao que é de fato e de direito: Somos assistentes executivas e insatisfeitas. É assim que devemos nos portar. Não podemos colocar toda nossa energia, perdendo tempo, estagnando e permanecendo inertes ao que está acontecendo no mundo, somente como espectadora e não protagonista (Clichê eu sei, mas apenas pedagógico... neste caso. rs). Não vamos nos deixar compactuar com a máxima, EU JÁ SEI TUDO DARLING...

A última e derradeira característica do normótico: Aquela falta de consciência de sua responsabilidade em relação a estas decisões: Transfere sempre aos outros (o não escolher nada e permanecer inócuo) isentando-se a participação, ou seja, cada um cuida de si e ignoramos as necessidades dos demais. Nisto se traduz a competitividade desmedida: Considero-me superior e por isto, por não olhar o próximo, ainda me julgo em nome de uma supremacia que só existe para mim. Ele, e não o mundo. Eu, eu, eu ,eu... só o “eu”.

Vejo que, de certa forma, ainda temos muito a progredir em nosso patamar de assistente executivo. Mas, faço questão de reforçar que, muitos destes sucessos, deverão vir de nós, em forma de união, solidariedade, compartilhamento, dedicação e empatia. E vou além destas considerações: Em uma empresa, se temos pool, ou mais de um assistente, estes são partes do todo e não, o todo. Aqui, vale a união da classe, e não a desunião dos departamentos. E se você não concorda com isto, trate de olhar novamente seu estado de normose, se você está achando “a vida deste jeito mesmo” ou sua supremacia do eu já sei tudo. Olhe, reformule-se, é tempo de reivindicar novas posturas para todo, e não para você. 

Quero saber aqui e agora: Você chora ou empresta lencinhos? 


Fonte: 


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