terça-feira, 24 de maio de 2016

Você não precisa ser a mulher maravilha



Sempre tive pavor de não ser reconhecida pelo meu trabalho e dedicação, o que me tornou um verdadeiro "trator" - termo que ouço com mais frequência do que gostaria. Nesse sentido, não é difícil ouvir as pessoas perguntarem: "Como é que você consegue dar conta de tudo?".


Este questionamento por muito tempo me fez sentir grande orgulho. Uau, eu realmente sou uma pessoa comprometida com meu trabalho", mas hoje me dá vontade de chorar. 

De uns tempos para cá algo tem mudado e aquilo que era endorfina pura já não ocupa o mesmo espaço, principalmente porque começou a agredir minha saúde física e mental. Na verdade, tenho compreendido que não tenho que ser a mulher maravilha. Até porque, se bem pensarmos, a mulher maravilha apesar de resolver todos problemas e "dar conta de tudo" não têm filhos, relacionamentos, casa, família, animais de estimação, amigos e vida social. Não fica gripada, não faz progressiva, luzes, retoque de raiz, dieta, depilação e ainda encontra tempo para ir ao mercado. É realmente uma vida resumida a resolver problemas e ter controle de tudo. 

Outro dia um amigo, com apenas 35 anos, teve um AVC e o diagnostico foi stress enquanto outra amiga pediu demissão, largou tudo, colocou uma mochila nas costas e foi viver um ano sabático na Ásia, antes que tivesse um AVC. 

Acho pouco provável que com o meu perfil eu simplesmente largue tudo e vá viver um ano sabático. Digo isso, porque gosto de trabalhar, mas há um detalhe: precisa ter realização pessoal, porque parafraseando Nelson Rodrigues "Sem paixão não dá para chupar nem um picolé". 

E como ter realização pessoal com tanta sobrecarga? 


Tenho refletivo, e muito, que sucesso e realização não estão ligados diretamente a quantidade de horas ou acumulo de tarefas. Realização profissional precisa, caminhar com realização pessoal. E não adianta acharmos que somos super heróis, porque não somos e mais ainda, nós não precisamos ser 100% em tudo, precisamos sim ESTAR 100% envolvidos,  ainda que em múltiplas tarefas. 


A sútil diferença daqueles que fazem muito e têm a sensação de não terem feito nada é exatamente essa. Não há equilíbrio. Tornam-se resolvedores de problemas, tendo o ledo engano de achar que "só mais esse probleminha e tudo ficará bem". Não ficará, porque outros problemas surgirão. E de repente nos deparamos nadando, nadando e morrendo na praia, exaustos e diante de um caos gerado por nós. 

Portanto, abandonar hábitos que prejudicam nossa qualidade de vida, rever comportamentos, prioridades e relações, cuidar do corpo e do espírito podem contribuir para uma vida plena. É claro que uma mudança de hábitos não acontece da noite para o dia, mas sem dúvida é mais fácil que tentar ser a mulher maravilha, que sinceramente, não vale a pena. 

2016 está só começando. Ainda está em tempo de rever hábitos, prioridades, postura e principalmente aquilo que não acrescenta. O desafio, portanto, é compreender o que realmente nos faz feliz. 

Simara Rodrigues


2 comentários:

  1. Que texto maravilhoso!
    Professora Simara,
    Quero falar do respeito e admiração que tenho pelo seu trabalho e principalmente pela forma como o realiza.
    Apesar de acompanhar o seu blog fidedignamente, ainda não havia registrado, aqui, o meu encanto pelas aulas inspiradoras lecionadas com maestria, e, que nos fazem amar ainda mais a nossa profissão.
    Desejo imensamente que você continue desempenhando esse papel ímpar na vida dos profissionais de secretariado.

    Um grande abraço!

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  2. Que mensagem linda Maria!
    Muito obrigada pelo carinho e pelas palavras. Fico profundamente grata em contribuir para o seu crescimento. Saiba que esse carinho é força motriz em minha vida e me faz seguir em frente.

    Um abraço fraterno,

    Simara

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