quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Muito mais que atender telefone




Inovar sempre foi uma necessidade para atuar na área de Secretariado. Por fatores diversos: perfil do executivo, perfil da empresa, cultura organizacional e cenário econômico. Certamente por isso, uma das habilidades relevantes para este profissional é a flexibilidade e adaptação. 


No último domingo (31/01/2016), o Correio Braziliense publicou uma matéria destacando as profissões que devem se reinventar para permanecer no mercado de trabalho. Segundo a matéria, aspectos como a tecnologia e inovação devem fazer parte desse novo perfil. E foi com profundo orgulho que falei sobre a nossa profissão, os desafios e os mitos. 

Não tenho dúvidas do nosso potencial e capacidade de inovação. Na verdade, essa habilidade já faz parte do nosso DNA. Não consigo imaginar um executivo bem sucedido sem a nossa assessoria. E mesmo com todo o avanço tecnológico, acredito que somos uma peça fundamental. Entretanto, cabe a nós, buscar o aperfeiçoamento contínuo. 

Leiam a matéria: 


Você provavelmente não se lembrará da última vez em que viu um vendedor de enciclopédias. As novas gerações também não devem ter precisado que uma telefonista completasse ligações, sequer devem ter conhecido alguém que trabalhasse como datilógrafo. Por fatores como o avanço tecnológico ou a redução no número de pessoas que demandavam o serviço, essas ocupações praticamente não existem mais. E elas não foram as únicas que avistaram o momento em que se tornariam obsoletas. A notícia boa é que, dependendo da função exercida, o caminho do esquecimento tem volta, e é possível incluir outras atividades na lista de tarefas, absorver as novas técnicas e definir áreas de atuação ainda não exploradas para manter a carreira no mercado.

“Dois movimentos fazem com que as profissões precisem se reinventar: o avanço da tecnologia, que impulsiona transformações no modo como as atividades diárias são feitas, e a interação entre o profissional e o público, que define a demanda pelo serviço”, explica a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em gestão de pessoas Ida Fernandes. Os dois processos estão associados: quando a internet dá acesso aos mais diversos conteúdos, por exemplo, a quantidade de interessados em manter enciclopédias em casa diminui. Assim, a figura do vendedor que oferece o produto de porta em porta se torna desinteressante. “É um processo natural ter que se reconstruir dentro de um novo contexto tecnológico”, completa a especialista.

Do mesmo modo, quando as pessoas começam a fazer compras pela internet, as ocupações que promovem a divulgação de produtos, empresas e serviços em meios tradicionais ficam desatualizadas se não dominam o espaço em que a maior parte do público está presente. “A melhor maneira de se manter no mercado de trabalho é se especializar. Os profissionais muito genéricos tendem a ter menos espaço, já que as empresas buscam cada vez mais pessoas preparadas para lidar com demandas específicas. O ideal é, já na graduação, definir qual a área de interesse e onde quer atuar no futuro”, avalia Lúcia Coletto, consultora da empresa de recursos humanos Employer.

“Aqueles que trabalham com comunicação, por exemplo, estão sujeitos a exigências que vão além do domínio técnico, como criatividade e velocidade para atuar na internet. O processo de reinvenção das áreas de publicidade, marketing, jornalismo e outros começou e deve perdurar nos próximos anos”, destaca Lúcia. Marketeiros e publicitários que antes atuavam na definição de planejamento estratégico da empresa e executavam o plano de divulgação e vendas sentiram na pele as mudanças. Eles continuam tendo as mesmas atribuições, mas precisaram incorporar novas plataformas: sites e mídias sociais.

“O aspecto digital se tornou central na vida do consumidor, e isso impactou diretamente diversas carreiras na área de comunicação. A principal transformação é que esses profissionais passaram a prever ações em um meio diferente, com as quais o consumidor possa interagir, o que originou a especialização de marketing digital”, destaca a consultora e pesquisadora em mídias sociais Carolina Terra. Segundo ela, o ramo tem atraído ainda outras profissões relacionadas, como as de tecnologia da informação (TI), logística e administração. “A mudança nessas ocupações vem com o perfil da geração digital. A tendência é que a comunicação seja cada vez mais integrada, e os trabalhadores nesse meio busquem especialização e não graduação, já que várias atividades estão imersas nessa plataforma”, explica.

O que fazer para continuar no mercado?

Segundo o consultor de carreiras do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) Marcio Codogno, o movimento para que a profissão não se torne obsoleta deve partir dos trabalhadores da área. 

Confira o que pode ser feito para que sua carreira continue sendo demandada:


— Esteja a par de novas tecnologias. O mercado de trabalho exige, cada vez mais, pessoas antenadas e capazes de se adaptar a mudanças. “É essencial que o profissional consiga perceber conflitos no ambiente corporativo e tenha iniciativa para resolvê-los”, explica Marcio.

— Conheça a necessidade das pessoas que precisam dos seus serviços. Um segmento que começa a ganhar espaço pode representar uma nova área de atuação.

— Procure desenvolver-se afetivamente e comportamentalmente, criando relacionamentos profissionais e desenvolvendo a inteligência emocional.

— Busque se aprimorar. “É preciso sempre fazer a pergunta ‘o quanto eu posso ser melhor?’. O ambiente social sofre mudanças, mas a permanência no mercado começa com atitudes individuais dos profissionais”, aconselha Marcio.

Em transição / Confira outras profissões que estão se adaptando para permanecer no mercado de trabalho

Muito mais que atender telefone

Antes com atividades resumidas a atender o telefone e organizar a agenda do assessorado, a ocupação de secretário ganhou novas atribuições ao decorrer dos anos. “Antes era muito mais uma função e, atualmente, é de fato uma profissão”, explica a presidente do Sindicato das Secretárias e dos Secretários do Distrito Federal (Sisdf), Normélia Alves. Por conta da tecnologia (que facilitou a organização dos compromissos pessoais), as incumbências do profissional mudaram. Os graduados na área assessoram executivos, elaboram documentos, controlam a correspondência física e eletrônica, auxiliam na execução de tarefas administrativas e reuniões, prestam serviços em idioma estrangeiro, organizam eventos e viagens, entre outras atividades. Há ainda os técnicos, que revisam documentos e transformam a linguagem oral em escrita.




No currículo de Simara Rodrigues, 37, a parte referente à formação acadêmica é extensa. Além do curso superior em secretariado executivo, concluído em 2003 na UPIS, ela fez especializações em pensamento estratégico, gerência de projetos, relações institucionais e iniciou um mestrado em educação, que deve ser retomado no próximo ano. Simara também concluiu cursos em dois idiomas: espanhol e inglês. Atualmente, assessora o presidente e quatro diretores da Fundação Sistel de Seguridade Social, coordena um curso de bacharelado numa faculdade privada e é proprietária de uma empresa de prestação de serviços de secretariado executivo. Para ela, a chave do sucesso está na especialização. “Os assessorados têm necessidades diferenciadas. Se você vai trabalhar com um executivo de fundo de pensão, por exemplo, vai precisar conhecer um pouco sobre o tema”, afirma.



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