quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O estagiário que o mercado quer

Pessoal, 

Vejam que interessante a matéria publicada pelo Correio Braziliense



Em meio às novas dinâmicas do mercado, os estagiários se firmam como boa opção para integrar o quadro das empresas. Na busca por inovação, as empresas têm apostado nos estudantes para trazer novos conhecimentos, competências e formas de resolver problemas para dentro da organização. “Os estagiários podem trazer conceitos frescos das universidades e fazer uma releitura de processos sem os paradigmas daqueles que estão na companhia há muito tempo ou daqueles que absorveram vícios do mercado”, mostra Marcelo Scharra, consultor de gestão da Inside Business Design.

Analista do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e responsável pelo setor de estágios da instituição, Hellen Cristina Gomes também garante que as empresas estão de olho em inovação ao contratar estagiários. “Os jovens de hoje têm capacidade de aprendizagem rápida, conseguem colocar em prática os conhecimentos, são dinâmicos, empreendedores, e têm facilidade com o uso de novas tecnologias, o que é essencial para trazer inovação para a organização”, explica.

Segundo ela, a figura do estagiário como alguém que apenas executa as atividades solicitadas está mudando e, nesse novo cenário, proatividade e dinamismo são peças-chave para se destacar no ambiente profissional. “O papel não é mais passivo, mas proativo: eles devem trazer soluções para o ambiente de trabalho. O estudante é inserido em um programa de estágio para testar, na prática, o que aprende na faculdade. Por ter contato com a academia, pode aplicar os conhecimentos adquiridos no desenvolvimento de pesquisas e estudos em novos projetos e soluções de problemas para a organização”, argumenta.

Paula Fantini Amorim da Silva, 22 anos, estudante do décimo semestre de engenharia mecânica na Universidade de Brasília (UnB), trabalha no setor de logística, distribuição e trading da empresa Raízen, em Brasília, desde o início do ano. Animada com a experiência, a estudante explica que exerce atribuição importante no desenvolvimento das atividades da organização, em que pode aplicar na prática os conhecimentos aprendidos na faculdade. “Minha função não é apenas de imprimir papéis. Trabalho em conjunto com a equipe em áreas da engenharia mecânica e tenho espaço para propor ideias e dar sugestões. Já até participei de uma das reuniões da empresa, em que pude opinar e falar sobre os conhecimentos que possuo sobre segurança do trabalho. Eu me vejo como peça fundamental na empresa”, conta.

No último semestre da faculdade, a estudante pretende continuar na companhia após se formar, e garante que o período de treinamento foi essencial para decidir a área dentro de sua formação em que deseja atuar. “É difícil pensar no campo em que a gente quer trabalhar pela falta de contato com o mercado de trabalho na faculdade. Pretendo atuar no ramo de manutenção industrial, pois, hoje, tenho uma percepção maior do quanto o plano de manutenção é importante para a empresa”, afirma.

O perfil procurado

Luiz Alberto Bueno é gerente do programa de estágio da TAM, que está com inscrições abertas e oferece 100 vagas de nível superior para atuar em São Paulo. Ele frisa a relevância do papel desses principiantes na organização. “Eles integram as equipes que implementam os projetos da empresa; por isso, devem participar ativamente das atividades da organização e ter responsabilidade com suas funções”, esclarece.

Segundo ele, o perfil de estagiário buscado pela empresa é o jovem que tem vontade de aprender, assumir projetos e de interagir. “Características como trabalhar bem em equipe, ter atitude colaborativa, saber lidar com pressão e mudanças e ter foco nos resultados, além de energia para atingir objetivos, são primordiais para atuar em uma grande empresa”, aponta.

A vontade do estudante de mostrar resultados rápidos e crescer na carreira, no entanto, deve vir aliada a uma postura humilde, de quem está aberto a aprender, para evitar conflitos no ambiente de trabalho. “É preciso guardar a ansiedade e entender que, por maior que seja sua capacidade de agregar, a experiência e a maturidade são construídas com o tempo”, instrui o consultor Marcelo Scharra.

Nesse sentido, escolher a empresa ou instituição que mais se encaixa com seu perfil profissional é primordial. “O estagiário deve se adaptar aos padrões da organização, já que muitos são contratados pelo seu conhecimento técnico, mas são demitidos pelo comportamento que apresentam”, alerta Hellen Cristina. “Duas habilidades são essenciais para o mercado de trabalho: resiliência e comunicação correta”, indica a analista.

Equilíbrio entre a formação e a prática

A contratação do estagiário é atraente para as empresas que podem contar com a força de trabalho de pessoas qualificadas e com bom nível intelectual, considerando principalmente os universitários que estão nos últimos semestres do curso de graduação; mas não são condicionadas a vínculo empregatício e a arcar com as obrigações trabalhistas estabelecidas pela Consolidação das Leis do Trabalho. No entanto, é essencial ressaltar que o estudante só pode estagiar 6 horas diárias ou 30 horas semanais. O aprendiz não deve ser submetido a carga maior de trabalho para que o estágio não prejudique a formação acadêmica, cause prejuízos emocionais ou psicológicos, ou prejudique a própria atuação do estudante na empresa. É uma questão de equilíbrio entre a condição profissional e a escolar.

Apesar de serem funcionários que podem trazer inovação para as empresas, companhias que não têm visão de futuro focada no treinamento e no desenvolvimento das competências do estagiário continuam a ver o estudante como mão de obra barata ou o faz-tudo do local de trabalho. Com a sobrecarga de trabalho ou funções distantes da área de formação, os estudantes podem se sentir desmotivados e desacreditados sobre o próprio potencial no mercado, o que atrapalha os benefícios que a relação empresa-estudante pode trazer do ponto de vista econômico e social.

Papel da gestão

Um período de estágio proveitoso — para a empresa e para o jovem — depende não só da postura do estudante, mas também da conduta do gestor. “Se o chefe sempre barrar as iniciativas do estagiário, a experiência não será vantajosa para a firma. As empresas que possibilitam que os estudantes realizem trabalhos não apenas operacionais e técnicos, mas também criativos e inovadores e abrem espaço para sugestões e novas ideias são as que mais se beneficiam”, garante Scharra.
Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Thatiane Lima, 20, estagiária de direito no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) desde outubro do ano passado, sentiu a diferença que uma boa liderança pode trazer para o estágio. “Depois de ser transferida para a Vara Criminal, eu pude propor novas soluções. Uma das minhas ideias facilitou a localização de processos. Agora, também conto com mais orientação e apoio do supervisor”, compara.

Para Thatiane, a fase é decisiva para aplicar conhecimentos e decidir os rumos da carreira. “Eu comecei o estágio perdida, mas evoluí muito, além de ter adquirido mais prática com as matérias da universidade. Quero ganhar mais experiência e continuar aprendendo para escolher em que ramo do direito atuar”, afirma.

Palavra de especialista
Para os estagiários, é importante destacar que devem realizar as atribuições no estágio da melhor forma possível e estar atentos às suas obrigações, mas é primordial o conhecimento dos seus direitos: isso é se valorizar no mercado de trabalho.

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