sábado, 18 de abril de 2015

Sobre comunicação não-violenta





A Comunicação denota um processo de construção e sentidos. Quando comunico estou fazendo alguma coisa com o outro. Fica implícito uma conexão, visto que eu não posso me comunicar sozinho”.

E foi assim que no último final de semana o inglês Dominic Barter, que durante 18 anos aprendeu a desenvolver técnicas de comunicação não-violenta com o psicólogo Marshall Rosenberg, iniciou um treinamento sobre comunicação não-violenta. 

A principio, quando me falaram de CNV, imaginei que fosse uma espécie de PNL, mas após participar do curso com duração de 12 horas percebi que a CNV não significa uma maneira de ser simpático ou ausência do uso de força, mas uma maneira de me sintonizar, me alinhar com o outro, isto é, significa reconstruir a convivência. 

Tenho percebido, por meio das minhas experiências e de relatos de pessoas próximas que o maior desafio da sociedade contemporânea não está em desenvolver habilidades técnicas, mas comportamentais. compreender e respeitar o outro como ele é, sem pré-julgamentos ou rótulos. Percebendo a necessidade por atrás do comportamento. 

O curso, por meio de dinâmicas, situações práticas, troca de experiência e exercícios nos convida a compreender o motivo pelo qual muitas relações são conflitantes e desgastantes. O instrutor destaca quatro elementos fundamentais nessa reconstrução: Observar sem julgar; identificar e expressar as necessidades (do outro e as minhas); nomear os sentimentos envolvidos (do outro e os meus) e a necessidade de se formular pedidos claros e viáveis.

Segundo Dominic, a CNV desenvolve a competência relacional e a resiliência emocional necessárias para transformar um conflito em conexão e apoiar parcerias fortes e flexíveis. 

A CNV atua em três importantes níveis: intrapessoal, interpessoal e sistêmico – possibilitando o diálogo e a empatia, mesmo em situações e comportamentos desafiadores.

Durante parte do treinamento pensei comigo: “Por quê eu tenho que ter empatia se o outro não tem. Por que eu tenho que ser solidária, boa colega de trabalho se o outro não é? Por quê tenho que ouvir desaforos e ataques de histeria? Não é mais fácil simplesmente sair? Ignorar?. 

Ao longo do curso Dominic respondeu minhas inquietações: 

Porque quando desenvolvemos a CNV aprendemos a perceber nossas relações de maneira mais humanizada, proporcionando um ambiente seja ele familiar, educacional ou profissional mais transparente, respeitoso e sociável, o que consequentemente nos proporcionará mais qualidade de vida e relações fundamentadas. 

De fato, se colocar do lado do outro, perceber suas emoções, suas fragilidades, sensibilidades, aflições e tudo mais que fica implícito é um processo de reaprendizagem visto que fomos condicionados a questionar, nos vitimar, nos defender e argumentar - sempre na postura de donos da razão - o que impossibilitou aprimorarmos a simples habilidade de empatia com o outro.

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