quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Quando a parceria entre Secretário e Executivo vai além do esperado




Certamente nenhuma palavra consiga ter uma expressão tão significativa no Secretariado como a palavra parceria. 

Particularmente penso que é a partir da parceria construída entre Secretário e Gestor que tudo vai ganhando forma. Isto é, a partir desse conceito surge a compatibilidade de valores e opiniões, lealdade e cumplicidade. Aspectos esses inerentes para a nossa atuação. 

Essa parceria me fez lembrar um dos primeiros Executivos que assessorei. Um ser humano incrível, inteligente, articulado, mas que também era muito vaidoso, o que diga-se de passagem é quase uma regra no mundo corporativo – egos inflados e cheios de vaidades, alguns beirando a arrogância. 

Mas ele era especial para mim. Eu ainda era estagiária quando fui convidada para assessora-lo e durantes anos construímos uma parceria que deu certo. Ele me valorizava e me motivava a seguir sempre adiante. Lembro-me que minhas avaliações, que aconteciam uma vez por ano, eram sempre “acima do esperado” o que me garantia uma promoção anual. Ele, sem dúvida, foi um grande incentivador. É claro que discordávamos em alguns aspectos, mas na maioria das vezes conseguíamos ler os pensamos um do outro. 

Se eu estivesse triste, incomoda ou aborrecida ele era o primeiro a perceber, demostrando assim sua capacidade de gerir pessoas, o que também é regra em algumas instituições, principalmente naquelas tomadas por uma “miopia na Gestão”. O mesmo acontecia comigo. Bastava um bom dia para que “detectasse” seu humor ou um olhar para saber o que ele pensava a respeito de um determinado assunto ou pessoa. 

Durante essa parceria, alguns momentos cômicos ficaram registrados em minha memória. Era muito engraçado quando, durante uma reunião com grandes executivos, ele me orientava a interromper a reunião e informar que o Ministro ou uma autoridade muito importante estava chamando-o. Ele não tinha muita paciência para reuniões longas e cheia de relatórios e falatórios. Segundo ele, essas reuniões eram um tédio e para não “ficar chato para ele” o ideal era que eu interrompesse “em grande estilo”. 

Que situação! Pensava comigo. 

Então eu entrava na sala de reuniões, repleta de executivos, colocava sobre a mesa o bilhete devidamente dobrado com os dizeres: “O ministro fulano de tal solicita sua presença em reunião”. Enquanto eu me dirigia para a porta ele soltava em alto e em bom tom: “Simara, diga ao ministro que estou concluindo uma reunião e já estou indo. Peça ao motorista para encostar”. 

Quando a reunião terminava e aqueles executivos bem-apessoados deixavam o escritório simplesmente nos entreolhávamos e ele dizia: “obrigado querida”. E a vida seguia sem qualquer comentário ou exposição a respeito. 

São situações como esta que me fazem acreditar, de corpo e alma, que Secretariar é uma arte!

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