sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Planejando a sua viagem internacional - parte1

Entrando no clima de férias de parte dos Brasileiros e a super dica da minha ex-aluna e amiga Josy Guedes, farei algumas postagens sobre as minhas experiências de viagens. Quem me conhece sabe que entre as minhas motivações está a paixão por viajar. Acredito, de corpo e alma, que é uma oportunidade singular de expandir minha visão de mundo e de vida, uma vez que tenho a possibilidade de conhecer novas pessoas, histórias, culturas, momentos, valores, gastronomia e o dia a dia local. 



A expectativa é que as minhas experiências possam contribuir para o planejamento e realizações das suas viagens. 



Espero que seja útil. Perguntas e sugestões serão bem-vindas.  

E o primeiro roteiro será: Itália – Suíça – República Tcheca e Alemanha – Viagem realizada em 2011 - durante as minhas férias . 

O primeiro passo ao pensarmos em viagem é P L A N E J A R, isto é, criar um plano que otimize o alcance do objetivo. Nada contra quem vive o lema do “deixa a vida me levar” mas quando nos planejamos ganhamos tempo e qualidade naquilo que nos propomos a fazer. 

Geralmente organizo uma viagem de férias com 9 meses de antecedência. É como uma gestação (risos). Por que tanto tempo? Porque assim, consigo me organizar financeiramente, profissionalmente e pessoalmente. Em tempo de crise e de economia instável não aconselho acumular gastos com passagem, hotel e despesas da viagem em um só momento. A não ser que você tenha recursos disponíveis, o que não é o meu caso. 

Quando me organizo com toda essa antecedência, ao chegar o dia da viagem já estou com bilhetes e hotéis devidamente pagos – inseridos no meu orçamento ao longo do meses – logo, é menos uma despesa ao retornar das férias. 

Danuza Leão em seu livro “é tudo tão simples” afirma que viagens devem entrar no orçamento familiar como despesas fixas, assim como energia, água, telefone, habitação e etc. Concordo em número, gênero e grau com a autora. Ainda que isso signifique reduzir os custos com outros prazeres como festas, happy hour, roupas, sapatos, bolsas e etc. Tudo é uma questão de ajustar o orçamento e principalmente as prioridades. 

Itália, Suíça, Praga e Alemanha surgiu de forma muito natural: Analisando o mapa da Europa. Simples assim. Sempre, em qualquer viagem que eu faça eu começo analisando o mapa, o que me ajuda a escolher uma rota lógica. Neste caso, se você analisar no mapa perceberá que houve uma sequência nos trechos. 

Os preparativos: 

Após analisar o mapa - o que é muito prazeroso porque você começa a viajar antes da viagem acontecer – parto para as questões burocráticas e necessárias: passaporte, visto, vacinas, moeda local, câmbio, clima, vestuário, mala, idioma, meios de transporte a partir do 1º primeiro destino e etc. 

Sobre o passaporte – Para os Países listados é necessário passaporte válido. Sugiro que renove seu passaporte com 6 meses de antecedência a validade – veja como fazer no site da DPF. A boa notícia é que agora os passaportes têm validade de 10 anos e não mais 05 como ocorria até o ano passado. Para nenhum dos trechos é necessário visto. 

Vacinas – Não há obrigatoriedade de vacinas para nenhum dos países listados, mas ainda assim, sempre tenho comigo meu cartão de vacina internacional, no qual consta a minha vacina de febre amarela – Sugiro que sempre deixe o cartão de vacina juntamente como o seu passaporte. Saiba mais sobre o que é o cartão de vacina internacional e como adquirir no site da Anvisa. O meu, fiz em um posto de atendimento no aeroporto de Brasília – basta levar o cartão de vacina nacional e documento de identificação – é muito simples e não há custos. 

Moeda – Itália e Alemanha a moeda oficial é o Euro. Na República Tcheca e Suíça as moedas oficiais são Coroa Tcheca e franco suíço, respectivamente. Optei por comprar no Brasil uma pequena quantia de Euros. O suficiente para gastos com transporte, água e “comidinhas” de rua e outras emergências. Sugiro levar notas de 10 e 50 euros – para facilitar o troco. Não gosto de carregar muito dinheiro em bolsa, acho arriscado e desnecessário visto que temos opções como cartão de crédito e débito. 

Quanto as moedas de Praga e Suíça comprei no próprio hotel – por preços justos e taxa de câmbio honesta. 

Geralmente as pessoas me perguntam: “Simara quanto devo levar para uma viagem dessa natureza”. Essa é a resposta mais difícil, porque vai depender do seu gostos, das suas prioridades e da sua forma de viajar. Mas sempre digo que 100 euros, por dia, é o ideal para comer e fazer os passeios – Mas vale lembrar que este é um valor que estabeleço para as minhas viagens e atende às minhas despesas com comida, transporte e passeios. Ressalto que gastos com lembranças, presentes, vestuário, perfume etc, estão fora desse orçamento. 

Para saber mais sobre o câmbio de cada País, sugiro acessar o site do Banco Central. 

Clima – Infelizmente, considerando a disponibilidade da minha agenda, eu só viajo no inverno europeu, que acontece entre dezembro e fevereiro e as temperaturas chegam a ser abaixo de zero. Adoraria conhecer a Europa na primavera, quando tudo muda – inclusive o humor das pessoas. Engana-se quem pensa que não faz diferença. Faz toda a diferença escolher a estação que pretende viajar. Particularmente não tenho vontade de ir no verão, época em que a temperatura chega a 40 graus. 

Vestuário – tudo vai depender da época escolhida. Como disse acima, eu sempre viajo no inverno. Então preciso investir em casacos. Não necessariamente bonitos, mas funcionais. Nas primeiras viagens eu costumava comprar casaco no Brasil e nunca fui de investir muito nisso, já que em Brasília não há frio tão rigoroso. Mas atualmente tenho optado por comprar fora, pois mesmo com a alta do dólar e nossa moeda em desvalorização, tem valido a pena. Então, viajo com um bom casaco – leia-se que aquece – e quando chego compro outro. Outra sugestão: não faça estoque de casacos, preocupado com as fotos, porque na volta eles irão direto da lavanderia para a mala, onde ficarão até a próxima viagem. Outra ponto negativo em levar muitos casacos é o espaço que ocupa na mala. Quanto mais casaco, mais trambolho para você carregar. (esse assunto dará outro post - sobre o que levar na mala).

Malas - Para essa viagem eu, muito amadora, levei uma mala de 32 quilos cheia de roupa. Foi um horror e vocês saberão nos próximos posts o motivo. Atualmente tenho viajado com malas menores – média de 25 quilos. Quem gosta de conforto sugiro optar pelas malas de rodinhas que giram 360 graus. O cadeado é obrigatório. 

Bolsa extra – aqui vai uma boa dica: leve uma bagagem de mão armazenada dentro da sua mala. Acredite, você irá precisar de uma na volta. Essa mala extra servirá para você trazer aquelas itens que não quer embarcar na mala que será despachada. Mas lembre-se das regras para limite de bagagens. 

Mochila – No dia do embarque escolho viajar com uma mochila pequena. É muito mais prático pois por diversas vezes você deverá apresentar documentos, bilhetes, voucher e outros papéis. Além disso, alguns itens que não embarco na mala: máquina fotográfica e itens de valor. Como já tive minha mala extraviada, várias vezes, é menos um stress. E é lógico que não pode faltar um bom livro. Afinal, atravessar o oceano significa pelo menos 8 horas dentro de um avião. Então, sempre otimizo meu tempo e levo dois livros. Um para ida e outro para a volta. Há quem diga que sou muito metódica, mas sempre levo na bagagem de mão um conjunto extra de roupa. Conheço várias pessoas que tiveram suas malas extraviadas na ida, e só foram recebe-las no dia seguinte. Então porque não se precaver? É importante lembrar que cada companhia área estabelece o peso máximo para bagagem de mão, por isso, fique atento às regras. Lembre-se também que há limites para carregar líquidos na bagagem de mão. Sugiro que Xampu, condicionador, perfume, acetona e etc. sigam na mala que será despachada. No Brasil o raio X não é tão rigoroso como na Europa e você em breve você saberá o motivo. 

E que bolsa eu uso durante a viagem? Opto por bolsas transversais, pequenas - que vão facilmente armazenadas na mala. Não levo mais que duas.  

Idioma – É importante falar pelo menos um pouquinho de inglês para viajar. Embora não concorde quando algumas pessoas dizem que inglês é fundamental para viajar. Na República Tcheca e na Alemanha, por exemplo, apenas os mais jovens e os grandes estabelecimentos falam inglês. Vivenciei muitas situações em que a comunicação utilizada foi quase mimica e boa vontade de ambas as partes. E olha que legal, eu sobrevivi. (risos). O mesmo valeu para a Suíça que possui 4 idiomas oficiais: O alemão, o francês, o italiano e o romanche. Você fala o outro não entende, o outro fala e você não entende. E então fala um pouco de inglês, de português, de francês e de espanhol e tudo flui. Comunicação é realmente algo fantástico! 


Meios de transporte – Para esta viagem optei por fazer todos os trechos internos de trem. Tive uma experiência anterior entre França e Espanha que me fizeram repensar e por isso escolhi fazer esta viagem de trem. Foi a melhor decisão. Trem é a expressão máxima de civilização européia. É eficiente, charmoso e democrático. Ninguém implica com o que você leva na bagagem de mão e tampouco é submetido às cansativas explicações. Além disso é muito mais mais prazeroso e belo. Viajando de trem você pode chegar com 20 minutos de antecedência, não embarca mala (por isso é importante levar uma mala média) e contempla a vista. Os assentos, assim como de avião, são previamente marcados. Simples demais. Ao contrário do aeroporto que exige duas horas de antecedência, raio X, imigração, vistoria, tira sapato, tira cinto, tira relógio....ufa cansei!



É claro que em alguns trechos de avião a viagem é mais rápida, mas ainda assim foi impagável todas as paisagens que vi durante essa viagem. 



1ª classe ou 2ª classe – Nesta viagem eu comprei todos os bilhetes de trem ainda no Brasil – pela STB – uma espécie de passe que é vendido para turistas. Assim como as passagens aéreas e hotel, comprei os bilhetes com antecedência e o valor e as formas de pagamento valeram muito a pena. O “trem pass” oferece opções de passes para dias corridos ou intercalados dentro do período de dois meses; passes globais - que permitem percorrer até 20 países - ou até mesmo passes regionais. Você compra o bilhete em aberto, sem data marcada, dentro do prazo acima descrito. Com esse passe basta apresentar-se no guichê da estação ferroviária e validar o cartão de embarque. Junto com os passes eu recebi um livro com todos os horários e itinerários na Europa, assim, bastava eu escolher o horário que queria embarcar e viajar. Como nunca tinha viajado de trem temia viajar de 2ª classe. Como era muito “matuta” imaginava que na 2ª classe viajaria com as galinhas e com gente mal educada. Por isso, escolhi viajar de 1ª classe. Logo depois descobri que não há diferença, exceto pelo preço do bilhete. Pelo menos pra mim, não houve. Os assentos são espaçosos, as pessoas são civilizadas e educadas. A única diferença é que não há serviço de bordo na 2ª classe. O que para uma viagem de 2 horas, por exemplo, é bobagem. Concorda? Além do mais, na Europa é muito comum as pessoas levarem o seu próprio lanche. 

Além do “trem pass” é possível comprar os bilhetes diretamente com a companhia ferroviária - Eurostar é uma delas. A parte chata é que o pagamento é a vista no cartão de crédito.

Passagens aéreas – Para essa viagem eu fui com milhas da TAM. Na época, a companhia era membro da Star Alliance e considerando o codeshare fui com a TAP. Sendo assim, meu trecho inicial foi: BSB/LISBOA/ROMA. Eu adoro viajar com a TAP. O serviço de bordo é muito bom e os voos não atrasam – pelo menos em minhas experiências nunca aconteceu atraso, só mala extraviada. Mas eles são corretos e sempre entregam na minha residência. 

Outra vantagem de viajar pela TAP é que você não precisar ir para Guarulhos, considerando que a maioria dos voos internacionais saem de lá ou Galeão. A TAP tem um voo diário que sai de Brasília e segue direto para Lisboa – porta de entrada para vários países da Europa. Embarquei às 19:00 e cheguei em Lisboa às 06:00 da manhã - horário local. A diferença de fuso horário no inverno é de 2 horas a mais em Lisboa. Isto é, quando no Brasil for 04h em Lisboa será 06h. 

Chegando em Lisboa fiz uma conexão, isto é, troquei de aeronave. Não precisei retirar minhas bagagens pois ela foram direto para o meu destino final. Mas foi preciso passar pela imigração. Como o aeroporto de Lisboa é enorme “segui o fluxo” – algo meio lógico – porque não fazia ideia para onde ir. A fila de imigração é dividida em duas categorias: Europeus e outros. É nesse momento que algumas pessoas são deportadas. Por isso levo comigo os tais documentos na mochila – voucher do hotel, ticket de retorno e demais destinos. Assim, se alguém me pedir comprovantes da minha viagem eu tenho a mão. O máximo que já me perguntaram em Lisboa foi sobre o meu roteiro de viagem. Ao embarcar em Brasília recebi dois bilhetes um com os dados até Lisboa – em que consta portão de embarque, número de voo e horário – e outro com os dados para Roma. Ao sair da imigração segui para o portão de embarque informado. Embarquei às 08:30. Ainda deu tempo de tomar um cafezinho e um pastel de Belém – A moeda local de Lisboa também é o Euro.

Aplicativos - Escolho bons aplicativos e mapas com dicas de viagem. Gosto muito do tripadvisor. Geralmente antes de escolher um restaurante ou café eu dou uma olhadinha nas opiniões dos leitores. 

Cartão de crédito desbloqueado - Sempre levo dois cartões de crédito devidamente desbloqueado para uso no exterior - lembre-se de desbloquear inclusive em suas conexões. Por que dois? porque se um for extraviado ou perdido eu tenho outro de reserva. É importante lembrar que compras no cartão de crédito gerarão taxas de IOF, mas o lado bom é que você também terás as despesas convertidas em milhas. 

Não que eu viva pensando no pior, pelo contrário, eu sempre espero o melhor. Mas exatamente para não estragar as minhas férias procuro me antecipar a possíveis imprevistos. 

1º destino – Roma

Cheguei em Roma, no aeroporto de Fiumicino, por volta das 11:30. A temperatura era de aproximadamente 12º. Optei por pegar um taxi, pois em Roma tudo é muito perto. Não gastei mais que 20 euros de taxi. Sempre opto por contratar um transfer ou pagar um taxi quando chego a um País. A viagem, embora muito tranquila é cansativa, tem fuso horário e mala. Então, nesse momento eu deixo meu “tico e teco” se situar e não fico “batendo cabeça” andando de metrô. Roma é um dos berços da história. Foi incrivelmente fascinante vivenciar tudo que estudei no ensino fundamente e médio. O lugar é um tesouro para os amantes da arte e da cultura. E oferece tudo do melhor para boêmios, modernos e fashionistas. São inúmeros os atributos da capital italiana, habitada por aproximadamente 2,8 milhões de pessoas. Além de tudo isso, favorece os turistas o fato das atrações mais procuradas se concentrarem em uma área perfeitamente viável para a exploração a pé. Porque se a Fontana di Trevi, o Coliseu e o Vaticano são obrigatórios, igualmente indispensável é saborear os restaurantes, o prazer de cafés e bares embasbacados com cada praça, monumento ou museu que vemos a frente. 

Os meus critérios para a escolha do hotel geralmente são: localização, limpeza e preço. Não invisto todos os meus recursos em hotéis. A minha prioridade é que tenha uma boa cama, um banheiro, uma boa ducha e que tenha um metrô a poucos metros. Tudo que um turista precisa para ser feliz. O Café da manhã, por exemplo, é algo que não faço questão, pois priorizo comer fora e assim conhecer a gastronomia local. Em Roma escolhi um hotel na Via Veneto. Pela proximidade com algumas atrações como a Escadaria da Espanha e a Fonte de Trevi que estão a cerca de 10 minutos a pé e pelos cafés e restaurantes localizados ao redor. Logo na esquina havia um Hard Rock café, parada obrigatória em minhas viagens. Andei muito pouco de trem e menos ainda de taxi. Roma deve ser visitada a pé e sem pressa. 

Me programei para passar o Ano Novo em Roma e dia 01/01 estava no Vaticano. Mesmo para quem não é católico é uma visita inesquecível. A energia daquele lugar é única. Talvez porque ali, pessoas do mundo inteiro, têm um propósito comum – buscam boas vibrações. O lugar me tocou profundamente e me marcou. Sou muito grata pela oportunidade. 

Próximas paradas: Florença, Veneza, Luzerna, Praga e Berlim! 

Aguardem o próximo post!


Até mais ou como dizem na Itália: A presto!



O primeiro passo - analisar as melhores e  possíveis rotas 



Fontana di Trevi remonta à época da Roma antiga.



Entre os presentes da viagem uma exposição, temporária, de Van Gogh

 Fórum Romano - história e arte no centro urbano 


 Dia 31/12 a rua estava fechada para acesso de carro



Do alto do Castel Sant' Angelo




Visto do Vaticano do alto do Castel Sant' Angelo









Um comentário:

  1. Simara, que delícia suas dicas de viagem!! Vou aproveitar todas!

    Parabéns!

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