quinta-feira, 12 de junho de 2014

"O que falamos e como nos referimos aos outros constrói a nossa reputação"


O artigo abaixo traz duas considerações valiosas para o nosso dia a dia: 

1) A sabedoria que o profissional de Secretariado precisa ter e sua postura diante das diversas situações. Quem atua na área deve avaliar com muita cautela o que ouve - afinal temos acesso a todo tipo de informação - se preocupando em "filtrar" tudo que é ouvido e as consequências a partir do que é dito. Muitas vezes, silenciar é o mais sensato e o que se espera desse profissional. 

2) Quem fala demais sempre corre o risco de ser mal interpretado. E como mencionado no artigo "a língua, é um pequeno instrumento capaz de causar grandes danos aos homens." Portanto, é preciso utilizar boca e ouvidos na mesma proporção. 

Sensacional o artigo e as colocações do Professor Marco Tulio!!  

Falei o que não devia sobre meu chefe, e agora?


Por Marco Tulio Zanini responde


Trabalho há três anos no departamento de vendas de uma grande empresa. Gosto do que faço, consigo superar as metas e tiro uma boa quantia por mês em comissões e remuneração variável. Algumas semanas atrás, estava voltando para casa de metrô com uma colega de outro setor. Na ocasião, falamos despreocupadamente sobre nosso dia a dia na empresa. Como era uma conversa informal, acabei desabafando sobre problemas com meu chefe e fiz também outras críticas em tom de brincadeira. Quando me levantei para descer do trem, no entanto, percebi que no banco logo atrás estava a secretária dele. No dia seguinte, meu chefe passou a me tratar de forma ríspida. Pouco depois, ele fez uma avaliação rígida sobre meu desempenho, inclusive cobrando coisas que nunca havia cobrado. Tenho certeza de que isso está acontecendo porque a secretária contou a ele o que ouviu. O pior é que gosto dele e as coisas que eu disse eram mais para passar o tempo do que por uma insatisfação genuína. O que devo fazer?

Supervisora, 34 anos

Resposta:

A maturidade e o exercício das virtudes podem refinar o nosso comportamento. No entanto, não há um ser humano que não caia pela língua. Quando revelamos essa nossa fraqueza, o tamanho do prejuízo vai depender de cada situação. Coisas que dizemos sobre terceiros acabam abalando a nossa reputação pessoal e o julgamento que os outros fazem sobre a nossa conduta moral.

A dedução é óbvia: a pessoa que nos ouve falar mal ou comentar um aspecto negativo sobre a vida de alguém passa a se colocar na posição do ausente, imaginando que, um dia, em sua própria ausência, falaremos mal dela também. É difícil refrear a língua, e essa é uma virtude a ser cultivada. Tenho um amigo de infância que tem essa virtude. Sempre o admirei por isso. Ao longo de toda a nossa convivência de 40 anos, não me lembro de ter ouvido ele falar mal enfaticamente dos outros. Portanto, acredito também que, além do aprendizado social, é uma virtude nata.

Por outro lado, a maioria das pessoas fala mal e comenta sobre a vida alheia. Existem inúmeras advertências bíblicas sobre a maledicência, abrindo espaço para ferir a vida humana. A língua, como escreve São Tiago, é um pequeno instrumento capaz de causar grandes danos aos homens. Não há quem não tenha sido traído por suas próprias palavras. Portanto, refrear a ansiedade de falar dos outros é uma virtude a ser cultivada ao longo da vida. A fofoca, mesmo que sem grande malícia, desperdiça nossa energia vital e nos coloca em riscos como esse. Uma vez que as palavras tenham sido jogadas ao vento, não é possível catá-las de volta.

Na vida social, o que falamos e como nos referimos aos outros constrói a nossa reputação. Na medida em que as pessoas percebem que não nos dedicamos a comentar sobre a vida alheia, percebem que essas questões não têm mais relevância do que outras consideradas mais nobres. Isso faz com que percebam maturidade de nossa parte. Quando nos poupamos de falar sobre a vida alheia, canalizamos a nossa energia vital para o que interessa, e fugimos daquilo que destrói e não edifica.

A nossa sociedade, no afã de libertar os homens das amarras da religião e da tradição, acabou por nos levar a acreditar na importância da autenticidade, da fidelidade e dos próprios sentimentos, no direito a demonstrar quem somos, e destruiu as bases para a ética da virtude, tão fundamental para o exercício da ética e para a harmonia da vida em sociedade. Não há ética sem sacrifício pessoal, e hoje viramos as costas para esse exercício. Pregamos a ética para o outro, mas quase todos nós negamos o esforço e a disciplina pessoal necessária para vivê-la nós mesmos.

Lao-Tsé, filosofo chinês do século VI a.c., afirmava: aquele que domina o outro é forte. Aquele que domina a si mesmo é poderoso. O que fazer agora é um difícil exercício de diplomacia. O espelho da confiança foi arranhado. Pedir desculpas talvez não seja o caminho, pois para isso você terá que levantar suspeita sobre a secretária dele ter feito fofoca e terá que se expor demasiadamente. O caminho que vejo é buscar reconstruir os vínculos com paciência e humildade. Não custa jogar palavras ao vento no sentido oposto: - Às vezes falamos demais e nos enganamos sobre as pessoas, mas depois refletimos sobre o que dissemos e como julgamos, e percebemos como cometemos injustiças....

Marco Tulio Zanini é professor e coordenador do mestrado executivo em gestão empresarial da Fundação Getulio Vargas e consultor da Symballein

Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações. As perguntas devem ser enviadas para:

E-mail: diva.executivo@valor.com.br


Fonte:
http://www.valor.com.br/carreira/3580472/falei-o-que-nao-devia-sobre-meu-chefe-e-agora

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