terça-feira, 1 de abril de 2014

Quando o chefe mais atrapalha que ajuda?

Aprecio demais os artigos publicados nessa coluna do Jornal Valor Econômico. 

As questões apresentadas na coluna geralmente possibilitam um olhar para os problemas vivenciados no mundo corporativo, que de longe, são uma particularidade de uma determinada empresa. Percebe-se que embora o cenário atual seja altamente dinâmico e inovador as empresas ainda têm como gargalo o desafio de encontrar bons líderes.

O que faço se meu chefe mais atrapalha que ajuda?


Por Gilberto Guimarães responde


Trabalho há quatro anos em uma empresa de grande porte e há cinco meses fui promovido para coordenar uma nova unidade de negócios. Gerencio uma pequena, mas eficiente, equipe e temos um bom relacionamento. O problema é que o meu chefe, que é o diretor, acaba interferindo de maneira negativa no nosso trabalho. Isso porque ele quer sempre dar seu "toque pessoal" nos projetos depois que eles ficam prontos e frequentemente acaba atrasando os prazos dados pela matriz e piorando o que já estava bom. Já percebi esse "estilo" dele de gerenciar e tento me adaptar para evitar maiores traumas. No entanto, sinto que toda a equipe fica altamente desmotivada quando isso acontece, pois o resultado de todo o esforço acaba sendo prejudicado por um simples capricho do executivo - que além de tudo tenta roubar o crédito do que deu certo para ele e colocar a culpa nos outros pelo o que deu errado. O que devo fazer?

Gerente, 38 anos

Resposta:

Infelizmente esse é um comportamento comum de chefes que não são líderes, e que não passam de simples chefes. Inseguros, disputam com seus subordinados os créditos pelas realizações. Normalmente, chegaram a cargos de direção por caminhos tortuosos e inexplicáveis. Podem ter chegado lá por "antiguidade", por serem herdeiros, amigos ou pessoas de confiança dos acionistas ou até mesmo os próprios donos.

O importante é que chegaram ao seu limite de competência. Inconscientemente, percebem sua fragilidade e então buscam na prepotência, na arrogância ou no sarcasmo manterem sua posição. Inseguros e indecisos, destroem o espirito de equipe. Criam um ambiente negativo, de medo, raiva e insegurança.

Ser líder é muito mais que chefiar e mandar. Ser líder é assumir a responsabilidade pelo grupo e ser percebido como aquele que vai garantir o sucesso e a sobrevivência. Líderes não podem ser permissivos, mas não devem culpar os outros.

Liderar é tomar decisões, fazer escolhas e influenciar as pessoas a fazerem o que deve ser feito. Líderes eficazes não temem os subordinados. Eles os encorajam e incentivam. Não importa que sejam, pessoalmente, vaidosos ou humildes, os líderes devem valorizar sua equipe e se cercar de pessoas independentes e autoconfiantes. Liderança é confiança e respeito.

Segundo Peter Drucker, o líder eficaz sabe que a tarefa suprema da liderança é a criação de um significado que justifique e valorize cada ação, cada objetivo, todo e qualquer trabalho. Ela inspira e empolga. Líderes precisam ser resilientes, qualidade que permite que adaptem sua forma de atuação a cada situação para conseguir a melhor produtividade e a mais rápida evolução dos subordinados.

Líderes criam um ambiente positivo no trabalho, promovendo emoções positivas como compreensão, otimismo e gratidão. Devem incentivar as relações de apoio mútuo em todos os níveis, ajudando a criar um senso profundo de significado e propósito no trabalho.

Quem trabalha com chefes que têm comportamento com o que você descreveu e, mesmo assim, quer fazer carreira na empresa, precisa aprender a desenvolver paciência e a capacidade de suportar decepções. Não é fácil, mas não existe outra solução.

Chefes como esses raramente mudam. Quando confrontados por críticas ou opiniões negativas sobre seu comportamento ou ideias tornam-se ainda mais inseguros e prepotentes. Normalmente não aceitam feedback. Sentem-se ameaçados por pessoas mais competentes ou independentes e, por isso, buscam impedir que elas se destaquem e apareçam.

A existência desse tipo de chefia nas empresas é um dos mais sérios problemas corporativos. É resultado de critérios e sistemas inadequados de avaliação e promoção. No longo prazo, isso provoca uma profunda perda de produtividade e pode até mesmo ameaçar a sobrevivência da empresa.

Gilberto Guimarães é diretor da GG Consulting e professor

Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações. As perguntas devem ser enviadas para: E-mail: diva.executivo@valor.com.br

Fonte: http://www.valor.com.br/carreira/3475492/o-que-faco-se-meu-chefe-mais-atrapalha-que-ajuda

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