quinta-feira, 6 de março de 2014

O que faço se meu futuro chefe tem fama de difícil?

Considerando a estreita relação que há entre o profissional de Secretariado e seu gestor, é fundamental que haja afinidade entre ambos. Assim, é válido que a partir do processo seletivo o Profissional de Secretariado analise e avalie se seu futuro gestor compartilha dos mesmos ideais. Isso, certamente, contribuirá para o sucesso Profissional e para uma escolha feliz. 



O jornal Valor Econômico publicou ontem, 05/03/2014, na coluna Eu & Carreira artigo muito interessante e pertinente ao assunto, o qual compartilho abaixo: 


Divã Executivo - (Sofia Esteves) 

O que faço se meu futuro chefe tem fama de difícil?

Trabalho há cinco anos em uma empresa de grande porte. Por falta de reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento interno, estou desmotivado e procurando ativamente outro emprego. Há poucos dias, recebi uma proposta bastante atrativa em uma empresa do mesmo setor no qual atuo hoje. O salário é bom e o desafio parece interessante, mas buscando referências no mercado da pessoa que seria meu chefe imediato, descobri que ele é considerado instável, estressado e tem histórico de ser muito difícil de lidar. Essa informação me deixou inseguro. Ainda tenho algumas entrevistas pela frente, mas não sei nem se devo continuar participando do processo. O que devo fazer?
Coordenador de logística, 35 anos

Resposta:

Sim, continue participando do processo seletivo. Referências de mercado são importantes, mas é preciso que você forme a própria opinião sobre esse profissional. Você não precisa ignorar as informações úteis que recebeu sobre o histórico do futuro chefe, mas pode ser cauteloso para não partir do pressuposto que as referências são atuais - afinal, os líderes também podem aprender e se desenvolver.


Além disso, mesmo que atuais, as referências vêm carregadas de viés das pessoas que, inclusive, podem ter um perfil profissional bem diferente do seu. Então, aproveite as entrevistas que têm pela frente para tirar todas as suas dúvidas, faça perguntas para mapear o estilo de liderança desse profissional, procure explorar as expectativas que o gestor tem sobre o time, a vaga, a área.


Caso tenha oportunidade, faça essas perguntas também para os diferentes interlocutores da empresa que conhecerá nas entrevistas - desde o profissional de recursos humanos até o próprio gestor. Analise a coerência dos diferentes discursos nas entrevistas e faça um comparativo com as suas expectativas e interesses.


Você sabe o que espera de um chefe imediato? Vale tentar fazer esse exercício antes de ir para as próximas entrevistas. O que não toleraria? O que te faz admirar um líder? Uma pesquisa realizada no ano passado pelo grupo DMRH e NextView People com quatro mil executivos de todo o país listou as características citadas como componentes do perfil de um líder inspirador. São elas: é um exemplo a ser seguido, é desenvolvedor de pessoas, faz com que seu time se sinta integrado e motivado a gerar resultados, escuta os liderados e é atento às necessidades do time, é coerente com o que fala e faz, estabelece uma relação de confiança com as pessoas e tem uma excelente visão de futuro e das tendências.

Hoje, o que é esperado de um chefe é muito diferente de outros contextos e momentos. Não estamos mais na era do "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Atualmente existe uma pressão para que o gestor seja coerente entre discurso e prática, conheça muito sobre o negócio e o mercado de atuação da empresa e desenvolva o time com um olhar único para cada colaborador. Em função dessa complexidade e exigência, 52% dos executivos da pesquisa citada afirmam que não conhecem um líder com essas características inspiradoras. Tarefa nada fácil ser e achar esse líder inspirador, não é?

Apesar da dificuldade, é importante ter essa clareza, de que o chefe imediato influencia muito no seu dia a dia e no seu desenvolvimento. Dizem que pessoas não deixam empregos ou empresas, mas sim seus chefes. Então, essa sua preocupação é genuína e muito relevante.

O que recomendo é que continue no processo seletivo, aproveite as próximas entrevistas para tirar as suas dúvidas e forme a própria percepção sobre o suposto chefe difícil. Peça para ele te contar de alguém que, na opinião dele, deu muito certo na equipe. O que essa pessoa fazia? Como era a relação entre líder e liderado? Escute a história e se pergunte o quanto tudo isso está alinhado com seu perfil profissional, as suas expectativas e interesses. Só depois disso, tome sua decisão.

Sofia Esteves é psicóloga com especialização em recursos humanos e presidente do grupo DMRH

Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações. As perguntas devem ser enviadas para:
E-mail: diva.executivo@valor.com.br

Fonte: Jornal Valor Econômico - Eu & Carreira - quarta-feira, 5/03/2014 - D3 

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