quinta-feira, 5 de setembro de 2013

E quando o amigo de balada se torna seu subordinado?

Outro dia recebi um e-mail de uma ex-aluna que relatava diversas barreiras enfrentas em seu ambiente de trabalho e sua atuação como líder. Segundo ela, as pessoas não respeitavam suas decisões e orientações. Temos conversado a respeito e a questão central da conversa tem sido direcionada para a seguinte pergunta: Qual a postura adequada no ambiente de trabalho e qual o impacto na minha carreira? 


Hoje, li o texto abaixo e me lembrei de nossas conversas: 


Presenciamos que a cada dia os percentuais de jovens nos quadros das organizações crescem exponencialmente em virtude de uma série de fatores, é por isso que o tema jovens talentos passa a figurar como pauta de reuniões de diretoria, eventos de gestão de pessoas, cafés, corredores, Twitter e até Facebook.

A necessidade de desenvolver e entender o perfil desses profissionais, fruto do atual contexto, faz com que empresas criem em suas estruturas de Educação Corporativa e Atração & Retenção pilares ou “escolas” que tratem exclusivamente desse assunto, desenvolvendo programas, ferramentas, parceiros e estratégias que apoiam processos de seleção, avaliação, desenvolvimento, carreira e melhor engajamento desse público.


É nesse cenário que vemos líderes jovens assumindo posições de destaque e comandando times tão jovens quanto eles e também com profissionais mais veteranos.


Segundo Gustavo Leme, gestor de RH, o fato é que esse cenário passa a ser impulsionado pela necessidade emergencial de formação de novos e futuros líderes. Ele identifica: “o jovem quer ter uma ascensão profissional mais veloz nas organizações e é aí que vemos jovens que mal saíram da casa dos 20 anos tendo que gerir pessoas e assim estreitando o pipeline (caminho) de crescimento dele como líder”.


Para Gustavo, é nesse ponto que começa a problema. “O que está acontecendo é que aquele que era o seu colega de balada num dia, e que era “brother” na night no outro, passa a ser subordinado… e aí, balada com subordinado pode? Tenho visto que esse público quase não faz distinção entre ambiente profissional e ambiente pessoal, não diferencia casa de trabalho, trabalhando em casa e muitas vezes relaxando no trabalho, e consegue, ao contrário de outras gerações, conciliar com mais facilidade amizade e subordinação e trocar o chapéu de amigo para o de líder em diversas situações.”

Para a psicóloga Camila Guillardi, a situação pode ficar complicada quando um subordinado carrega seu líder bêbado. “Na minha opinião, sair juntos para balada até pode! Me preocupa mais o nível de conduta da liderança e particularmente a força do exemplo e credibilidade, independente da geração do líder.”

Certamente não há regras claras para essa questão, somente o bom senso de sempre. Mesmo para determinar o redesenho dos códigos de conduta entre amigos, será necessário uma boa conversa de alinhamento, caso contrário existirão situações constrangedoras e resultados negativos para a amizade e para os profissionais envolvidos.

Mas fica a questão: numa balada com o subordinado, quem será o motorista da rodada, o líder ou o subordinado? Acho que isso essa geração não conseguiu mudar.

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