segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Maneira como as pessoas se cumprimentam no mundo corporativo



Muito interessante o artigo postado no site do Valor Econômico.  Particularmente evito certas intimidades no ambiente corporativo como, por exemplo, Beijos, abraços e piadas fora de hora. Faço parte da corrente daqueles que acreditam no seguinte ditado: Business is business, por isso, prefiro um bom e firme aperto de mão, acompanhado de um sorriso. Entretanto, é sempre bom saber o que anda acontecendo no mundo globalizado. 


Cumprimentos em encontros globalizados são um inferno

Há alguns dias, estive em Cingapura para uma palestra organizada por um banco alemão para uma plateia formada principalmente por mulheres asiáticas.


Embora estivesse a 11.200 quilômetros de casa e em um fuso horário de 7 horas, senti-me estranhamente confortável. Os grandes bancos são tão tranquilizadores quanto o McDonald's. Ou seja, são iguais no mundo todo. Todos falam inglês, todas as mulheres usam os mesmos vestidos Diane von Furstenberg e carregam as mesmas bolsas elegantes.

Mas mesmo em meio a toda essa uniformidade, há uma coisa que se recusa a se globalizar: a maneira como as pessoas se cumprimentam. Várias vezes me vi perdida na semana passada. Deveria dar um beijo na mulher americana em cuja casa eu acabara de jantar? Quando tentei, ela recuou com um sorriso e me deu um boa noite amigável.

Mais complicado ainda foi decidir como cumprimentar um grupo formado por uma mulher indiana, um homem chinês e uma mulher australiana. Sem saber o que fazer, os quatro decidiram deixar as saudações de lado.

Esse tipo de coisa sempre foi um problema, mas está piorando. Antigamente, o princípio era "quando em Roma, faça como os romanos". Portanto, quando em Roma, dávamos um beijo em cada lado do rosto das pessoas que conhecíamos razoavelmente bem. Na Holanda, eram três beijos nas bochechas. Na Rússia, você pode esperar um abraço de urso, no Japão, uma inclinação para a frente e, na Índia, mãos juntas e um "namaste". Nos Estados Unidos e Alemanha, temos um aperto de mão do tipo esmaga ossos. No Oriente Médio, algo mais parecido com um aperto de mão delicado.

Mas a globalização dos negócios tornou as coisas mais complicadas. Não sabemos mais quais culturas prevalecem sobre as outras. É a do país anfitrião? É a da maioria das pessoas na sala? Como ninguém sabe, o que tende a acontecer é uma confusão geral, uma "luta livre" embaraçosa. Vivemos em um estado de tensão permanente no que diz respeito aos cumprimentos.

Para piorar as coisas, todos copiamos saudações uns dos outros, o que significa que podemos nos confundir em nosso próprio país e até em nosso próprio trabalho. Quando entrei para o "Financial Times" na década de 1980, não havia beijos nos cumprimentos. Então, em algum momento lamentável, há cerca de 15 anos, os jornalistas começaram a se beijar nos dois lados do rosto - mas apenas em pessoas que eles gostavam e não viam há um certo tempo.

Agora, chegou a vez de uma forma de saudação ainda mais indesejável: o abraço. Esta é a maneira como os jovens britânicos estão se cumprimentando fora do trabalho, só que também começaram a fazer isso no escritório. O abraço é intimidade demais para o meu gosto e também muito difícil de usar da maneira certa: há o abraço total (com os dois braços), o abraço parcial (com um braço só) e o abraço acompanhado de um tapinha nas costas.

Em meu outro trabalho como diretora não executiva, o "inferno dos cumprimentos" chegou a tal ponto que me pego tremendo no começo de cada reunião. A diversidade pode ser uma coisa boa em um conselho de administração, mas a diversidade de saudações é deplorável. Meus colegas europeus são beijadores confiantes e entusiasmados, assim como uma das mulheres britânicas que também é diretora não executiva. Já outros colegas do sexo masculino parecem não gostar tanto dos beijos, assim como eu. O que significa que sempre acabo beijando alguns dos diretores e outros não - o que me parece muito errado.

Já cheguei a pensar que a melhor maneira de sobreviver ao "inferno dos cumprimentos" era decidir se você era um alfa ou um beta. O primeiro é sempre rápido em assumir a liderança, de modo que a outra pessoa não tem escolha a não ser acompanhar. O problema com essa postura é que ela deixa o alfa exposto às violações de etiqueta. Além disso, não funciona se a pessoa que você vai cumprimentar também é um alfa e está tentando abraçar você justo quando você está buscando um aperto de mão e acaba dando um "jab" nas costelas dessa pessoa.

Como o mercado não encontrou uma solução para isso, a única resposta é algum tipo de regulamentação. Há uma necessidade desesperadora de um Protocolo Global de Saudações (PGS), um acordo que todas as companhias e nações seriam encorajadas a assinar e que estabeleceria regras firmes a serem seguidas por todos.

O PGS seria maravilhosamente simples e mais ou menos assim: "Em um contexto de negócios, o único cumprimento permitido é o aperto de mão. Ele não deve ser nem muito forte, nem muito fraco e deve ter duração média. Ele não se aplica a 1) colegas que se veem frequentemente e 2) grupos de mais de seis pessoas, uma vez que os cumprimentos demorariam muito tempo".

Optar por não cumprir o PGS seria possível por motivos religiosos ou outros princípios de consciência, mas o "discordante" teria de usar um pequeno distintivo com uma ilustração de mãos se cumprimentando sobrepostas por um "X", para evitar qualquer confusão.

Isso não só seria o fim dos embaraços como o cérebro também estaria livre para fazer aquilo no que é bom: se concentrar nas primeiras impressões, tão importantes para os negócios, sem precisar se preocupar com mãos, braços, cabeças, lábios e bochechas.



Por Lucy Kellaway - Colunista do "Financial Times". Sua coluna é publicada às segundas-feiras na editoria de Carreira

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