quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Geração Y




Os Y voltam à pauta em 2010

A geração Y, dos jovens nascidos a partir de 1980, tem ocupado boa parte do noticiário relacionado aos temas de liderança e gestão. Ainda é cedo para dizer se o espaço dedicado a eles na imprensa e no mercado editorial será maior em relação às gerações que os antecederam. À exceção, claro, fica por conta dos babyboomers, os nascidos nos anos que se seguiram a Segunda Grande Guerra Mundial. A literatura que trata sobre o impacto dos babyboomers no mercado de trabalho (e na cultura de forma geral) é bastante extensa.

A geração Y traz uma gama de novas competências e um jeito novo de encarar a vida dentro das empresas. Com a maior exposição dos Y, no entanto, vieram também as críticas. Muitos dos executivos de RHs com quem conversamos têm calafrios quando essa expressão, geração Y, é mencionada durante um bate-papo. Muitos dos RHs são críticos ferrenhos do comportamento da nova geração de profissionais e dizem que se trata de pessoas mimados, que cresceram num ambiente econômico mais estável e previsível (portanto, não sabem lidar com períodos de contingência), num ambiente familiar cheio e regalias e poucos “nãos”. Quando esses jovens chegam às empresas, dizem muitos executivos mais experientes, eles têm dificuldade em lidar com (e até de entender) a complexidade de interesses que fazem parte do universo executivo. Claro, há outras fontes de rusgas entre esses dois públicos (para ficarmos apenas nos RHs). Uma delas que estressa os profissionais de recursos humanos é o senso de tempo. Os jovens do pós 1980 também foram criados no ambiente virtual da internet, onde as coisas se resolvem em segundos (pelo menos agora com o advento da banda larga).

Eles são o que se chama de nativos digitais. Para eles o senso de tempo é diferente. Um problema posto a mesa deve ser resolvido o quanto antes e sem grandes reviravoltas - uma qualidade necessária nos tempos atuais. Para os mais velhos que estão acostumados a seguir toda a liturgia da hierarquia corporativa (que cá para nós, empresas que ainda operam dessa forma estão fadadas ao insucesso) isso soa como uma afronta.

Nos últimos dias me pedarei com duas fontes diferentes, uma presidente de empresa no Brasil e um headhunter americano que acaba de abrir escritório em São Paulo, cujas falas tratam dos Y e externam percepções similares sobre eles. Achei as opiniões curiosas pois sintetizam o pensando de muitos profissionais mais seniores. Vamos a elas.

1) Marise Barroso, presidente da Amanco, do setor de autopeças (sua fala foi publicada na edição de dezembro da VOCÊ S/A): . “O que sinto falta nos jovens é humildade para aprender. Hoje, a geração mais nova está muito acelerada, querendo alcançar posições altas de forma rápida, sem dar tempo para ter experiências. É claro que os jovens devem ter ambição, mas isso pode ser feito de forma menos veloz, buscando mais profundidade no aprendizado”

2) David Nosal, caça talentos com 20 anos de profissão e passagens pela Korn/Ferry e Heidrick Struggles (veja entrevista completa com ele na edição de janeiro): “O que muitos jovens não parecem ter é a capacidade de ouvir e entender verdadeiramente o que está acontecendo ao seu redor. Alguns gostam tanto de falar que acabam não ouvindo os comentários e as questões que estão sendo feitas sobre aquele projeto. Chegam com uma ideia praticamente pronta e não abrem para discussão.”

Em 2010, os Y vão continuar na pauta das discussões sobre liderança e gestão. Isso por que eles estão assumindo cada vez mais postos de comando e impondo novos desafios ao atual establishment. Por outro lado, há uma pressão saudável sobre os jovens para que revejam alguns de seus (pré) conceitos.

Fonte: http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/secao/carreira/

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