quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Feminilização do mercado de trabalho



A primeira edição do ano da revista britânica The Economist traz reportagem de capa mostrando o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho mundial. Segundo a reportagem, o crescimento do setor de serviços (em que as mulheres competem em pé de igualdade com os homens) e a diminuição da importância do setor de manufatura/industrial (em que as mulheres competem por um emprego em desvantagem em relação aos homens) são os principais fatores que impulsionaram a ascensão feminina à força de trabalho nas últimas décadas.

Claro, há outros fatores. Na Era do Conhecimento o diferencial competitivo na hora de conseguir um emprego passou a ser a inteligência e o conjunto de competências demonstradas em um currículo ao invés da força bruta e resistência física necessárias para se trabalhar nos sweat shops do inicio do século passado. Como os indices de escolaridade no ensino médio e superior são muito maiores entre as mulheres, elas ganharam a atenção dos empregadores, principalmente daqueles que detém posições que exigem profissionais mais qualificados.

No Brasil, analisando os dados do IBGE, observamos o mesmo crescimento da participação feminina reportado pela The Economist. Entre 1976 e 2002, houve um acréscimo de 25 milhões de mulheres no mercado. Em 1976, 28 em cada 100 mulheres trabalhavam, adentramos o novo milênio com a metade das mulheres trabalhando ou procurando um emprego – é na região Sul onde se verifica a maior taxa de atividade feminina. Nos Estados Unidos, mostra a reportagem da The Economist, as mulheres já representam 51% da força de trabalho.

Se consideramos os salários pagos para o mesmo cargo e a taxa de emprego por gênero, as mulheres ficam atrás dos homens em ambos os indicadores. Em outras palavras, os homens ainda têm maior empregabilidade e ganham mais. Em algumas carreiras com alta demanda atualmente como engenharia e ciências da computação, as mulheres são minoria – nos Estados Unidos, por exemplo, elas representam 20% dos formandos nessas áreas (o percentual por aqui é certamente menor).

A presença feminina nos quadros de liderança, presidência, diretoria e conselho de administração, também é pequena. Mas as políticas de diversidade que vem sendo promovidas pelas empresas e a ascensão de mais mulheres ao posto de presidente deve mudar esse quadro dentro de pouco tempo. No Brasil, as filiais da Johnson & Johnson (setor de beleza e saúde), Genzyme (farmacêutico) e Standard & Poors (rating) são comandadas por mulheres. Entre as nacionais, a Amanco (automotivo) e o laboratório Sabin (farmacêutico) também têm na presidência mulheres.


Fonte: http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/

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